23 agosto, 2011

Os mulatos

Nos arredores
Dos matos e senzalas
Vivem os bichos e o passado

Nas crenças dos homens
Toda memória na chibata é curta

Então façamos questão
De batucar nas ruas e nas poesias
A ginga dos nossos pretos


Prá entendê a mironga
Pegue um acendedô prá benze  
Um caruruto prá fuma
O alaká prá colori os rabo de saia

Si o sinhô tivesse vatapá, acarajé e moqueca pra comê
Os cabelo todo formoso e kizomba prá dança
E a tarde dos capoeira pra renascê e resisti

No terreiro de babá
Neto branco é que ia pedir benção (adisuá, em nosso faladô)
     
Nego é viajante e ensinadô do Brasil.


Por Bibi Serafim

02 agosto, 2011

REMEXENDO


ela olha para trás e esconde o instante no bolso
menina sapeca que mexe o corpo correndo
suspende o agora passando a dança no mundo
encontra o profundo nas horas turvas do quando
faz as coisas perderem a noção do tempo

se deita manhosa e tomba o peito no ano 
rasteja o minuto nos passos e veste a saia de inverno
moça atrevida escorrega o dia na rua
atravessa o sorriso na boca e pensa que agora é a vez do momento

e quando avoa clara no sopro sutil do futuro
carrega a palavra encantada nos dedos 
acalma o minuto na curva crua do olho
permanece serena olhando alguma coisa pra fora
 e insiste

           seu corpo sem órgãos já não mais resiste        
     é tudo movimento

    



Por Bibi Serafim

Breve

 


 eu 
  lacônico?

             quiçá
                   SEr Esse
                     Seu Silêncio

                         
                            me  deixa
                                        sem lugar
                                                  por dentro

                                                        
                                                          escondido      
                                                             nos versos
                                                                    do peito.

Por Bibi Serafim