22 abril, 2011

aquela coisa toda


       SE
      ME
        T
AMOR
     FO
     SE
    AR


agora estou amando
e ela faz de tudo
para me sufocar




Por Bibi Serafim

13 abril, 2011

Bênção ao guerreiro

                                 para meu grande amigo, Henrique.



O vento brando e magoado
Alcançou o silêncio desta madrugada
A lua derramou sobre teus pés e cabeça
O sossego merecido ante o herói que batalha
E seu coração artilheiro e amado não precisa mais fazer gols para ser digno dos nossos aplausos

Abraça agora uma sincera despedida
Eis que os soluços da aurora terão piedade
Aprenderá a linguagem dos pássaros
E os arranjos que riscam o céu vão aliviar em ti o caminho destinado para a eternidade

Há uma trilha larga,
É só quem é, vai sentir.

Conduza-te sem rédea, sem cabresto e sem receio
A estreita passagem que hoje deságua seu oceano
Desata um sol outrora aflito e preso numa lamparina
Que durante a primavera e verão precisou de um escafandro
Suportando com bondade os dissabores do corpo
Para enfim o outono lhe soltar radiante e colorido
Na companhia das borboletas

Pode voar meu irmão.


“Mais ó
Conforme for, se precisar, afogar no próprio sangue assim será
Nosso espírito é imortal, sangue do meu sangue
Entre o corte da espada e o perfume da rosa
Sem menção honrosa, sem massagem
A vida é loka nêgo,
E nela eu tô de passagem.”




Por Bibi Serafim


04 abril, 2011

e me deito por alguma razão


Estou com a boca encharcada de uísque vagabundo
Meus pulmões negros queimam estarrecidos na brasa dos palheiros
O clarão do luar mineiro me conduz pelas indecentes portas e ideias imundas
Os meus olhos safados e assimétricos aproximam de outra mulher



Outro bar
Outra conta
Outra casa


Ela tirará a roupa,
Transaremos a noite toda e ela enfim dorme,
Saí à francesa
Entro no carro e me sento sem cinto ao som do Kid Morengueira 
Muito bêbado, chego em casa na maciota e quase devoro o que resta daquela  pizza gelada
Deito e leio a luz de um abajur meio falhado algumas dezenas das páginas malditas de Confissões de um comedor de ópio
Durmo.


Hoje amanheci ainda embriagado
Com a boca cheirando madrugada e pensando o quanto eu te queria
Não queria como aquelas tantas bocas sujas e safadas beijadas a gosto de orgia
Queria seu abraço e sua mão, queria seu beijo e seu amor
Queria esfaquear meu peito com teu sorriso distraído
Fazer meus arrependimentos gritarem à flor da pele com essas minhas recaídas malucas de paixão por você



Desconfio cinicamente de tudo isso
E ela se vai com suas dúvidas
E eu nem tenho mais as minhas
Entre nós existe uma fodida semelhança
Não sabemos entender um não
Nossa maior diferença
Só eu sei que o amor é um cão dos diabos.





PS: Há uma lâmina me irritando e quanto mais aperto, menos me corto. Vejo teu orquidário fechado e nascendo coisas que não sei exatamente o que são. Mas é peculiar e sincera, sempre.


Por Bibi Serafim