27 fevereiro, 2011

Feitio da paixão

Coração embriagado
Coração que eu não comando
Se sabias que meus olhos iriam arder em amargor
Como não avisaste minha razão, chamasse infame e inocente este furacão que sou

Mas como entender de sentimentos
Eu a desejo como homem
Quero fincar como cruz 
Beijá-la como brasa
Ouvir desta cabeça apenas pelas entranhas que serve ao coração.

Por Bibi Serafim

15 fevereiro, 2011

calabouço de ser


Eu
Buscando outros
Retornei a mim

Andando aqui
Acabei achando 
Vários

Descobrindo tantos
Futriquei meus outros
E acabei pensando

Sou ponte
Nunca um 
Fim

 Bibi Serafim

13 fevereiro, 2011

Tecnicolor

 

Essa parte do dia que os pássaros ainda insistem em cantar minha presença
Quando o sol espreguiça meu olho
Sorridente, vestido de pijama

Ele espelha o raiar do dia que baterá sua porta outra vez
E as pedras espalhadas na solidão das madrugadas boemias serão todas recolhidas
Nessa mistura quase alaranjada que as plantinhas refletidas pelo sol sobre a terra vermelha
Hão de brilhar em seus cabelos numa intensidade digna de um renascimento

Quando os cães envergonhados da noite se encolhem numa sombra qualquer
Deixando os andarilhos e suas latinhas uivando juntos
 Num dia frio de compaixão logo cedo esquento
Às vezes isso tudo se mistura com o vento gelado sentido na corrida do ônibus lotado
Futricando o mais calmo dos pensamentos amanhecidos

E juro de pé junto,
Não há recompensas eternas que console o desperdício das alvoradas alegres ou sofridas
Não há metafísica barata que leve na mochila mais poesia que a própria vida

E não me pergunte mais sobre isso
As coisas não devem ser protegidas ou explicadas,
Tudo é contato, somos fantasias, erros, mentiras e invenções

Sou instante
N’arte brinco, gozo, peido e choro
Sou cores e navalha
Morro e alucino

Imediatamente existo.


 Por Bibi Serafim

10 fevereiro, 2011

Funeral de um poema

Ontem fui ao cemitério para ver desvivamento de gente
Vi o segredo se esfregando no sofrimento ao ar livre
Promiscuidade derramada nas lágrimas que entupiram a terra de silêncio

Dizem que sou adoentado por falar essas bobagens
Inclinação aguda pelas coisas banais
Passo o dia engordando acontecimentos
Arruinando os bons modos das palavras

Já as crianças até desarrumam os olhos quando bolo essas estórias
Os adultos espicham pra alcançar o percurso de minhas lonjuras
Mas entendem mesmo é de histórias

Os fatos em si não são saborosos
Imagine se te conto sobre o enterro da tia avó de um amigo,
Mataria a poesia.



 Por Bibi Serafim


08 fevereiro, 2011

Elogio à tragédia

Vejo a dança das mulheres imaginadas
A boca que dorme ainda antes de nascer
O corpo cego que pega fogo pelos olhares e não espalha a dor
Engolindo sapos até emagrecer o dia

A tragédia sendo estuprada pela apatia
Indicando um ser que parece não sentir, não viver a dor
A vida comendo suas roupas e seus amores
E você dolorosamente sorrindo

Houve o tempo em que homens eram homens
Creio ter virado bicho desconhecido de mim,
Vivo com saudade.


Por Bibi Serafim

03 fevereiro, 2011

Ontem ao luar


O punho,

Aguardava a espada pacientemente atrás do continente

Mas a lança já havia rasgado o estômago dos astros

E vagarosamente atravessava o céu para além do universo

Dilacerando sensações que não pertenciam aos caprichos das palavras.



Degustar aquela aflição celeste

Sentir o cheiro do encontro

Ver as rochas permanecerem silenciosas

Ouvir a maré se acalmar

Tocar a delicadeza das areias

Deixavam meus olhos mais severos

Embora de modo algum,

Frios.



Todos alucinaram com o gozo daquela generosa noite

E no encanto do espetáculo visitamos a plenitude

Prazer, somos todos baianos. Aqui é Ulabacatchuba?



Não houve resposta,

Quem cala consente.



Com prazer, notamos que não só presenciávamos um ato erótico

Haveria de ter qualquer imaginação presente

E todas eram válidas,

Uma copulação magistral.



Então fizemos a façanha lisérgica

Eram danças e mergulhos e nudez e fogueiras e beijos e cantorias.

Juntos, acendemos ao luar nossa romântica despedida

Juntos, caminhamos sobre os orvalhos atlânticos

Colhemos nas nuvens a essência dos nossos néctares.



Por Bibi Serafim.
Obs.: Dedicada a todos os viajantes de ulabacatchuba, inclusive o Diogo presente todos os dias na lua. 

Vamos falar com Deus (1º contato)

 Quem pesa mal pesado e quem mede mal medido vai pra onde quando morre?

Desde quando as crianças imitam os camaleões ao mudarem de ideia?

Quantas estradas percorrem o corpo até reviver o primeiro gozo?


Por Bibi Serafim

01 fevereiro, 2011

Versos



O segredo do verso está na intimidade entre o escândalo imaginado e a sensação de não saber explicar.

A formosura desta ação profana embeleza meu dia,
Eu choro.


Por Bibi Serafim