24 setembro, 2010

Quando você souber enfim o quanto será eterna


 

Não chora
Ao peito amigo
Não haverá tristeza
Sua coisa de ser você
Aprende depressa a sorrir
Algum dia num dia de verão
Quem sabe de olhos fechados
Sendo aqui prestante ao seu pudor
Farei eterna sua última homenagem
Mesmo perante aos perigos do coração
Declarar antes que este amor se faça adeus
Neste cego e sincero mistério que é o encanto
Pela única razão de ser da paixão que é a embriaguez
Pois ao belo apelo da saudade pensarei somente quando ela vier
Engrandecendo essa declaração para que meu poema seja também seu altar
E em cada instante de tua presença me servir companheiro para que nunca esqueça a grandeza do meu amor


Por Bibi Serafim

21 setembro, 2010

Saudoso Curumim



Ainda quando rabisco de gente
Gostava de atazanar e desregrar as coisas
Inventava brincadeiras inadequadas
Afogava soldadinhos na bacia
Jogava futebol de bola de tênis
Comia rapa da massa do bolo de cenoura
Tinha uma fabrica de armas na serralheria do Serafim
Fundei a “PPP”, profissionais da profissão perigo
Mesmo ela não tendo cruzado a vida existida

Descobri como operar coquinho de sete copas
Escondia barata na boca e me guardava no armário
Aprendi a ter medo de borboleta e nunca mais esqueci
Enterrei foto no terreiro da Vó Santa pra achar no futuro
Paguei promessa por sete anos e nunca soube o motivo
Achava que 1994 era um ano eterno e fiquei triste quando teve 1995

Não entendia como meu dente podia ser tão grande e torto
Fazia xixi ao pé da arvore que nem o Jorge Tadeu em Pedra sobre Pedra
Lutava contra as ondas durante horas no mar de Ubatuba
Chorava se o Corinthians não ganhasse do Palmeiras
Acordava em pé e desentendido nas madrugadas sonâmbulas

Achava que o “Dragão” nunca iria morrer
Amei muito minha betinha de dormir
Tive meu primeiro amor por duas meninas ao mesmo tempo
E cresci achando que vender cerveja  era o único jeito no mundo de ganhar dinheiro


Por Bibi Serafim
  

20 setembro, 2010

Corrompendo poemas

 
Sou corpo de coisa que fala
 Alcanço poema medindo boca descalça
 Escrevo em parede vestida de estrela
 Faço que nem gaivotas ao ar livre
 Um arranjo para concerto a céu aberto
 Lambendo
 A cor das palavras inventadas
 Quando são evitadas de suas ocupações pelo nada.

 Por Bibi Serafim

09 setembro, 2010

Quem tem medo de brincar de amor

Novidade aos olhos da cidade
Desde que Maria Lourdes arrumou um amante
Há quem diga,
Sexo é coisa de gente

Gente,
Daquela que deseja e permite e faz 
Que olha para o lado com anseio do gozo
Aquelas que curtem essa intimidade às luzes acesas
Sem vergonha de brincar de amor
 
Faça essa cicatriz passear nua pelas orlas do pecado
Deixa pra lá essa asneira de se capar
Deixa disso

Vá correndo
Habitar os segredos mais obscenos do seu corpo
Ouça os ventos carregando pelo ar
A doce e pecaminosa condição humana
O quão sujo e delicioso é o mundo
E você faz parte

Pode-se abrir pra minha malandragem
Trepar é belo
E você gosta

Esquece esse drama de esperar;

“Se ama
Me chama
Que eu vou”

A vida passa
E esse fulano ainda vai ficar maluco
Só de pensar em falar de brincar de amor

Mas cuidado
Não se perca por aí,
A brincadeira pode causar confusão

“Quem tem medo de fazer amor,
Fazer amor, fazer amor...”

Por Bibi Serafim

Nada tiramos e nada pomos

Um Girassol da cor do seu cabelo
Visto sem o roubo apoético das explicações

Não há nada mais para pensar
Vendo a natureza assim como quem a veste
Sem perder a beleza da imagem pelos pensamentos

E por ser assim
Somente o que os olhos enxergam
Apenas o que a flor me oferece
E já é muito,
Me sinto tão seduzido.


Por Bibi Serafim