21 julho, 2010

Fidelidade

Encontrou-me desarmada
Vasculhou minhas promessas
Me aqueceu como o sol
Me queimou como o sol

Quando nasce é toda carinhosa

Traços típicos de moça forte e teimosa
Mas logo tropica no pé do rapaz
Ouve Chico, rodopia pião e faz troca-troca

Advogada na entrada e pela saída quase uma dançarina

Faz uma cicatriz para cada tarde, cada perdão
Renasce no próprio pudor
Depois acha graça e dá no pé

Vive riscada em cartórios e contratos patronais

Deixando nas parcerias toda desconfiança das tramóias
Enquanto as frases de sonhos ainda estão ocupadas
Inventando desculpas

Para onde eu vou

Fidelidade
Ela nem se quer tem nome
Desistiu para sempre de ser
Vive esparramada pelo chão
Olhando e sorrindo para o amante.


Por Bibi Serafim

20 julho, 2010

Boneca Cobiçada

A lua é testemunha
Quando a musa para
Eu reparo,
Ela.

Girando
Suas duas vogais
Cortadas
Por outras duas belas consoantes
Num sorriso estonteante, lerdo e provocante

Na cidade,
Onde só existe noite
Ainda deliciará com alguns murmúrios embriagados
Meus

Sem tanta poesia
Cantarei Noel passeando sereno em teus olhos quentes
Seduzindo teu rosto num toque leve de palavras

E quando o sol vir estragar novamente a boemia
Fina dose de tristeza entre os malandros e vagabundos
Vou calmo e prestante no encanto permanente daquele raro instante
Beijar-te-ei em silêncio.


Por Bibi Serafim

19 julho, 2010

Aos 22

Estou sendo
Vago como uma criança
Presa ainda solta no deserto dos libertinos
Fruto amargo doce azedo
Lagarto do mato que vira homem de rua
Uma mariposa que alucina nos cordões do universo
Cumprido ordens de desregra, a não ser a minha.
Uma formiga repudiada na imensidão das rochas
Que por ora se apossa do infinito
Levando consigo o jeito baiano
Um corpo-no-mundo.

Por Bibi Serafim

13 julho, 2010

Quando a saudade aperta

                                                                       Escrevo dores
O pecado mais doce das poéticas românticas
Seco encantamento no inferno da poesia que a gente não vive
Visto que nada iriam fazer as palavras
Sem meus versos em agonia 

Ganhar teu sorriso compondo letras entristecidas e envergonhadas
É meu tropeço e minha sina
Sentimento que só descansa quando posto aqui
Desfolhado como rugas no rosto
Meu canto enfeita tardes enternecidas

Mas como os rebentos da primavera
Se tiver que ser feliz
Se um dia tiver que ser feliz
Arranjarei músicas.

Por Bibi Serafim

11 julho, 2010

Se assim fosse


Ai se a boca falasse
Se o olho visse
E se o corpo escutasse
O coração então sentisse
A bela ainda quisesse
Se o dia permitisse
A carta eu entregasse
A saudade matasse
O abraço me desse
A felicidade voltasse

Por Bibi Serafim