29 março, 2010

Ela

Tanta coisa
Aquilo que não se explica
Mistura fina vestida de mulher e menina
Do olhar e cheiro que só uma afro-brasileira provoca
Numa malemolência,
Daquelas que tira samba em viola de malandro
E deixa rasgos e rastros no peito da cartola
Com o guardanapo todo rabiscado
Embriagado por versos enternecidos

Se fosse por mim
Não falaria uma palavra sequer
Nem arranjaria esta poesia
Ficaria mulato calado
Impressionado
E guardaria na lua
Gotas daquele encanto

 “o amor é como a flor, que nasce e morre quando não se espera"

Diria ele pra mim
Nesta mesma noite
A quem eu implorava para que o sol não viesse
Deixando a morena eternizada naquela profunda madrugada

Mas lhe digo,
Coloque teu sorriso no caminho
Que eu vou passar com meu amor.





Por Bibi Serafim

21 março, 2010

Encanto maior

Se queimar é não temer vida
Tomo-me de fogo todos os dias
E se todos que amaram, um dia sofreram
Prefiro a dor, ao medo
Prefiro me entorpecer da boemia, alegria, amigos e amantes
À sólida desventura da solidão,
Aquela caretice dos não aventurados.



Ser vento,
Celebrando os desvirgens
Sendo aquém daqueles homens seguros
Sou aquele que se joga,
Ao Intuito do peito, mesmo que em pranto
Apronto.



A cara espalmada de tanta saudade
É mais limpa que teu rosto todo maquiado de falsos sorrisos
E meus suados cabelos de malandro seresteiro
Que de dentro de si
Sai,
São mais perfumados que tua doçura imprópria,
Encarcerada.


Vou-me por escolhas
Não querendo traçar infinitos planos inexistentes
Esperando a vida acontecer,
E por aí planejar as mais belas artes


E mesmo que haja sofrer
Anseio por amar
Quantas vezes eu desejar,
Querer.


Por Bibi Serafim