30 agosto, 2009

Fica só entre nós.


Antes do entardecer
Não mais contarei o segredo daquele silêncio
Irei combinar nossos versos
Degustando seu cheiro em minhas palavras
Prever-te em meu rebojo
Gritar, provocando-lhe.
Apóstrofe à poesia.

Soube achar que não mais valia pena parar essa dança
Audaciosa, me ensinou passos internos e eternos.
Sua couraça que sensivelmente me fazia farejar sintonia
Pairou ideias que se perderam em multidões que carrega dentro de si.

O fogo rasgado de suas palavras me sussurrava
Intensamente?
Sim.
E só seu peito concretiza essa verdade. Somente só.
Na intensidade que explode a menina dos olhos
Couberam-me livros e dicionários de entendimento imediato
Em louca arritmia que banalizava a moral
Socorrida em verdadeiras conversas embriagadas
Morando o riso. O risco. Aliso. Belisco. Enrosco.

A boneca do abraço leve
Num sorriso
Apenas,
Acaçapava-me.
E só uma filha da puta sabe dar tanto quanto dizer
Vá se fuder!

Portanto,
Faremos da madrugada o gesto intimo da cantoria
Tragar tudo que seja vida
Beber tudo que seja prazer
Comer metades certas de pedaços inteiros
Daquilo tudo que considero errado.

E não serei o garoto parnasiano
Prefiro ser pachola
O Malandro da cidade média
A bisca safada que descontrola o equilíbrio
O irmão do tesão, da bossa nova e das agonias.
O leito do silêncio e da fala que acarinha seu mimo
Quantas vezes te couber no céu.

Cabe até sua estrela tagarela
Cabe seu peito acelerado
Cabem suas mãos e pés frios
Cabem seus olhos de reluz
E você sente, degusta e cheira até ouvir
O tecido pulsante utilizado no quadro colorido de uma homenagem.

Perdeu-se novamente no silêncio deste segredo?
Não mais secreto...
Por opção,
Talvez...
A chance de ouvir seu grito me faz achar
Que chegou a hora de encerrar a composição deste diálogo

E deduzir que minhas lágrimas,
Forjou palavras para o indescritível
Andou dizendo que a vaca branca do cabelo oleoso
Mirou o sorriso meigo na direção do homem pedra...
Logo logo sua distração se concentrou
E ele,
No caso eu, se derreteu.

Por Bibi Serafim

Além do elo

Quero uma homenagem sincera
Palavras embevecidas por afeto
Gestos conduzidos no encanto
Risos construídos de momentos
Dores percebidas em olhares
Conselhos doados na ternura
Brigas sorteadas por conversas
Distância mantida com saudade
Pensamentos confiados na semelhança
Atos inevitavelmente entendidos
Por seu intento.

A carne cortante por melancolia
A textura e conceito do homem-poeta
Vivo
Intenso
Reservado
Explosivo.

E ainda
Eu quero querer
Parar como uma pedra
Olhando nos olhos
E mostrar o pedaço de sua cor
Em mim.


Por Bibi Serafim

20 agosto, 2009

Quantificando o Amor


Volto a descrer no amor incompleto
Sendo inteiro, às voltas ele me receita:



• 1/3 meu para usufruto dela
• Ser 2/5 mais sério, pelas verdades dadas
• Partir em 6, a herança da velha casa branca
• 15 quarteirões do puteiro “Campo Belo”
•  2.000 quilômetros do flerte deixado em Maceió
• 3 celulares distintos para não misturar suas amantes
• 1 repouso mensal no almoço da Vó
• 4 dias a mais para nossa vaidade noturna
• 5 omissões diárias para evitar o constrangimento familiar


Por Bibi Serafim

19 agosto, 2009

Teoria da troca (sexo enquanto profissão)

O troco do seu tempo
Pode tocar minha teia
Por inteiro, contrato.
Mas o toque da nossa troca
Para ter teto... Se toca...
Com "T" de
Tesão, Tempo, Trabalho.
E aí sim o tato teria tido o meio termo.

Por Bibi Serafim

17 agosto, 2009

O quereres

Fazer do sorriso o resumo das palavras
Fazer das marcas o conto mais contido dos beijos
Fazer em beijos a desenho contido das conversas
Fazer por olhares o eterno secreto desejo
Fazer na amizade a enorme possibilidade do fim
Fazer do talvez a chance de permanecer.

 


Por Bibi Serafim

11 agosto, 2009

De Fato.

Fogo de véu, não é de uva.
Água de dezembro, sempre foi quente.
Choro adolescente, sexo.
Vento de julho, apenas arrepia.
Risada laboral, só fita.
Chuva de março, ainda alaga.
Pedra no litoral, esfarela.
Asfalto de pista, tropeça.
Barro de roça é movediça.
Promessa de amor eterno, fachada.
Fogo na fita, só risada.
Dezembro quente, chuva alaga.
Sexo adolescente, na pedra esfarela.
Vento que arrepia, no asfalto tropeça.
Uva na movediça, trabalho que roça.
Promessa de chuvamor em março, fachada eterna.


Por Bibi Serafim