Vamos falar com Deus (13º contato)
O que é um
Porcofante Astrapoterios?
Qual provérbio afirma
que morremos a cada vez que amamos?
As lágrimas e os
oceanos são parecidos no sal ou nas profundezas?
Por que razão Descartes
cultivou as emoções no inverno?
Qual o parentesco
entre os conceitos, a verdade e o niilismo?
O século XXI assentara
prazo de validade nas paixões?
Que acontece às coisas
quando são capturadas pelas ocupações?
É verdade que casa
de foca tem dons para emboscadas?
Qual a capacidade da
palavra anticonstitucionalissimamente afetar um pensamento?
A palavra vimos tem
olhos ou pés?
Deve-se olhar de frente ou ignorar “a indesejada das gentes”?
Por Bibi Serafim
Sozinhos
palavra sem mando
desautorizada a falar em nome de um solitário
estar no plural exige
permanecer
juntos
e nem
me venha com apelos
ou
flexões gramaticais
a busca pela
companhia
dos sufixos amplia
ainda mais a minha tristeza
por estar só
Vamos falar com Deus (12º contato)
Por que as matas virgens escondem tantos mistérios do sol?
É a Eutanásia ou os entorpecentes o assunto mais atrasado em nossa
sociedade?
Epicuro estava carente em Atenas quando afirmou que as refeições
solitárias são apenas para os leões e os lobos?
Que dieta alimenta tanta diversidade no esclarecimento Xintoísta?
Como explicar para os cientistas
que um grama de prática é mais importante que uma tonelada de teoria?
Que fazer com os corpos que paralisam nas contrações
ou se perdem nas expansões?
Quem disse que a prosperidade aumenta o desespero?
Buda e Freud fizeram um complô ao afirmarem que o sofrimento é inevitável na vida em sociedade?
É verdade que os árabes viajaram
para o Brasil pela memória dos colonizadores?
Sidarta estava certo quando insistia que o homem poderia
viver sem nenhuma posse?
Comer
peixinho frito antes da oração engorda minha alma?
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (11º contato)
Quantos devaneios acompanham um caminhante solitário?
Que farão das nossas enternecidas opiniões após o
enterro?
Já pensaste se a cor do gato importa para pegar o rato?
O apodrecimento da economia depende dos chicotes ou das
palavras?
Por que os velórios brasileiros são tão escandalosos?
Sabias que o Mickey
Mouse fora convidado para mais uma missão na África?
Ainda ofereceram dez meses de trabalho árduo para
mochileiros em troca de comida e moradia. Os mochileiros acreditam que são
livres?
A escolha da morte ainda empobrece o currículo da vida?
Mas até no paraíso é necessário ter currículo?
São todos suicidas os que vêem a redenção na morte e não
na vida?
As religiões ocidentais então pregam o suicídio?
Nas missas católicas os padres insistem que devemos comer
da tua carne e beber do teu sangue. Mas não estaríamos cometendo um dos sete
pecados capitais?
Tenho uma grande dúvida, a “mão invisível” é sua ou do
monstro Sist?
Perco-me nessas questões mundanas, me perdoa.
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (10º contato)
Paranóia quando nasce anda para frente ou
olha para o lado?
Qual a vertigem
das crianças que vivem na diplomacia do canhão?
Para Schopenhauer a morte é o verdadeiro
gênio inspirador da filosofia. Mas estaria certo Montaigne ao
dizer que
filosofar é aprender a morrer?
O enterro dos corpos amados ainda torna a
terra sagrada?
Homem, homo e húmus têm a ver com essa
relação bíblica da morte com a terra?
Como
poderei amar o pecador e odiar o pecado?
O quintal das perversões fora construído
pelas fantasias?
A primeira
coisa que se passa na cabeça de um homem quando chega ao poder é perder a
memória?
As perguntas mudariam a intensidade caso eu
colocasse a interrogação assim¿
Com
sinceridade, o que sua pessoa pensa a respeito dos filhos definhados nas alcovas
de concreto cujo nome batizaram de prisão?
É verdade que
o caminho do barco é o porto assim como o da vida é a morte?
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (9º contato)
Qual a semelhança entre a arte e o cadáver?
Quantos relógios eu preciso para construir uma neurose?
Seriam pecadores os homens e mulheres que por acaso se divertem e saem
felizes dos prostíbulos?
Como
Cristo e Luta Livre se misturam?
Eu juro que vi no Texas.
Por Bibi Serafim
para me livrar do mal
terminando
o verão
as
noites e as morenas
estarão
mais calmas e serenas
Por Bibi Serafim
Gota d' Água
Para
onde vão nossas revoadas?
O
esgotamento da maioridade
Andam às tontas
Nos beiços babados das bocas
proibidas
Os velhos sentem falta das travessias
Agora só percebem as formas duras
Não entendem de viagens ou travessuras
E
se nessa brincadeira descobrissem a doçura e a meiguice?
O
nascimento da infância
Até mesmo
os solilóquios entoavam em azul
Onde os gafanhotos
borboleteavam para fora dos pensamentos
Juntando bocas vespertinas e
jurando nunca mais reprimir os verbos
Foram engolidos por dragões
e fadas
E assim se tornaram os mestres
dos homens
Eram verdadeiros navegantes de si.
Vamos falar com Deus (8º contato)
Onde
enterraram a marca da perenidade?
Em
qual estação os casais não escutam um ao outro?
O
intervalo é vizinho dos vagabundos ou descoberta dos patrões?
Quantas piruetas são necessárias para um saltimbanco ser aplaudido?
Quantas
pessoas já compareceram ao fim do mundo?
Morreram
pelo tédio ou pelo tumulto?
Por Bibi Serafim
A CASCA DA NOIA
PARA TY
PARA RAIO
PARA BRISA
PARA FINA
PARA DOXO
ser a cortina
entre
o pensador e o vagabundo
PARA QUEDA
PARA TUDO
PARA TUDO
PARA QUÊ?
PARA
NOIA.
Por Bibi Serafim
Jonas e Maria
uma garrafa no chão_________
a água procura quem tem sede
mas toca o pé de outro
no caminho
Por Bibi Serafim
Viúva Negra
Toda beleza é efêmera
Toda beleza é obsessiva
Toda beleza é mortífera
Tenho sido mais belo do que vivo. É a grande sacada dos navegantes. Trata-se de gozar na podritude e retirar na carniça o charme da morte. Ter estilo como o louva-a-deus macho que tem a cabeça arrancada após o acasalamento. O encanto das múmias e os olhares de medusa eternizados na ideia ancestral da arte como morte e o amor pelo desvanecimento. A acusação de uma existência abatida e vivida em ruas fechadas. Prefiro as pontes e as curvas das estradas. Espalho aos mil ventos a palavra rude da renúncia. E ao que tudo indica, me resta pouco tempo de vida. E você me pergunta aonde eu quero chegar? Não há caminhos certos ou iguais, a não ser o da morte. Vou fazer o que eu gosto. Entre as tantas decorações belas, fora a riqueza e a felicidade os venenos escolhidos para fotografar a vida. Está aí a imagem do cadáver.
Nem toda beleza é colorida
Eis o caráter letal da obra de arte.
Por Bibi Serafim
Veredas
Hoje coloquei
duas auroras na
estrada. Os caminhoneiros viajaram mais
felizes.
Por Bibi Serafim
Incenso você
Austero destino que nos condena ao acaso
E se ele me aparece agora é nele que acredito
Minha carne treme
Agita feito água caída em cachoeira gelada
Grita rasgada pelas brechas da alegria
Deslembra o lamento das paredes antigas
Em você me abrigo e outra vez aconteço
Sua carne treme
É asa que entoa um curioso apelo
Um cheiro que derrama escondido no bojo da graça
O corpo atravessado de sorrisos inteiros
Nos lábios enternecidos que sua alma navega
Nos cantos incertos de cada passeio
Escrevo coisas cruas sobre nossos caminhos
Permaneço verão nos lírios da sua presença
E para cada encontro para sempre fico
É morena
Em par sou com você
Dois como dois destinos
Acontecendo entre
Aquela sensação aberta
De uma mulher dentro de um homem
Engarrafando origamis e encantos
Errando na liberdade e acertando na poesia
Ela disse que é
Ela quer estar
Ela quer viver
Ela disse sim
Esses ares incensam infinita noite
Afez-se com os caprichos inventados a cada instante
Deitou-se com os gestos curvados para dentro
Num sabor único do teu beijo que me empossa um gosto escorregadio
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (7º contato)
A morte dos sonhos também muda o sentido da vida?
Quantos enterros por dia são necessários para entristecer um coveiro?
As palavras felicidade e primavera deveriam ser do mesmo tamanho?
O arrependimento ainda freqüenta as casas de massagem?
Desde quando tu aceitas parcerias privadas onde a água da chuva é propriedade empresarial?
É verdade que a cerejeira é um antigo presente do senhor para recompensar a sabedoria dos orientais?
Você gostaria de ter outro nome?
Eu sei, foi só para provocar.
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (6º contato)
Quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete?
É verdade que os parricidas têm um pericárdio culposo?
O que o senhor fez com Freud quando o fidalgo aporrinhou a teoria divina dos sonhos?
Seriam a caridade e o amor as verdadeiras avenidas para a salvação nas festinhas celestiais?
Os alcoolistas e usuários de outras drogas também são convidados?
Por que você insiste que o antônimo de bom é mau, se o contraponto correto seria ruim?
Isso tem a ver com suas artimanhas da linguagem para seduzir os homens pelo medo ou pela compaixão?
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (5º contato )
O mistério do Apocalipse poderia ser revelado por um comunista?
Quantas vidas necessitam os pescadores para finalmente fisgar a essência dos oceanos?
Se tu apoderas da nossa imagem e semelhança como fizeste para respirar no espaço?
Até quando os relatórios mentais serão elaborados e administrados em sua santa casa?
Se os raios, relâmpagos e trovões são os grandes medidores da vossa fúria, seria um tsunami a confissão de seus porres?
Conte-me um segredo, além dos católicos e evangélicos, quais outros fiéis são racistas contra os deuses africanos?
Por Bibi Serafim
Os mulatos
Nos arredores
Dos matos e senzalas
Vivem os bichos e o passado
Nas crenças dos homens
Toda memória na chibata é curta
Então façamos questão
De batucar nas ruas e nas poesias
A ginga dos nossos pretos
Prá entendê a mironga
Pegue um acendedô prá benze
Um caruruto prá fuma
O alaká prá colori os rabo de saia
Si o sinhô tivesse vatapá, acarajé e moqueca pra comê
Os cabelo todo formoso e kizomba prá dança
E a tarde dos capoeira pra renascê e resisti
No terreiro de babá
Neto branco é que ia pedir benção (adisuá, em nosso faladô)
Nego é viajante e ensinadô do Brasil.
Por Bibi Serafim
Vamos falar com Deus (4º contato )
Se o homem fosse castrado ele também mudaria de nome que nem o touro e o boi?
Mas ele já não fora castrado por vossa moral?
A palavra piedade teve erros de tradução nas colonizações jesuítas?
Qual é o nome da patologia de quem acredita transar com as divindades?
Os gregos então eram pervertidos?
É verdade que posso chegar ao céu se enfileirar todos os cachorros quentes comidos pelos americanos durante um ano?
Se o dízimo é a décima parte de uma propriedade, seria o senhor o primeiro entendedor da mais-valia?
Por Bibi Serafim
REMEXENDO
Ela olha para trás e esconde o instante no bolso
Menina sapeca que mexe o corpo correndo
Suspende o agora passando a dança no mundo
Encontra o profundo nas horas turvas do quando
Faz as coisas perderem a noção do tempo
Se deita manhosa e tomba o peito no ano
Rasteja o minuto nos passos e veste a saia de inverno
Moça atrevida escorrega o dia na rua
Atravessa o sorriso na boca e pensa que agora é a vez do momento
E quando avoa clara no sopro sutil do futuro
Carrega a palavra encantada nos dedos
Acalma o minuto na curva crua do olho
Permanece serena olhando alguma coisa pra fora
E insiste
Seu corpo sem órgãos já não mais existe
É tudo movimento.
Por Bibi Serafim
Breve
eu
lacônico?
quiçá
SEr Esse
Seu Silêncio
me deixa
sem lugar
por dentro
por dentro
escondido
nos versos
do peito.
Por Bibi Serafim
Aprovação do meu primeiro livro.
Com muita satisfação,
Venho aqui informar que foi aprovado pela Diretoria de Cultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) o valor de R$9.000,00 para a publicação do meu primeiro livro de poesias " Riso Risco Aliso Enrosco". Estou muito feliz por esse reconhecimento; o livro deve conter cerca de 70 poesias, e poderá ser lançado a partir de janeiro de 2012.
Muito obrigado a todos;
Bibi Serafim.
Argumento
Escrever
Envolver os lírios até enforcar meus pudores
Empurrar o corpo para o grande salto da alma
Estender o caos de uma palavra e descobrir a fúria das criações
Enganar os algarismos até enlouquecer os copiadores e não mais haver tradução
Embriagar as verdades absolutas ao ponto de despistar os chicotes e algemas
Elevar as pedras escondidas na inconsciência e atirá-las sobre as técnicas linguísticas
Errar na vida e vir aqui desolado pedir imenso perdão
Errar na vida e vir aqui desolado pedir imenso perdão
Explorar as sensações da estranha condição humana e nela derramar puro tesão
Quando você sabe que terminou de escrever?
Quando?
Não sei, quando você sabe que terminou uma transa?
Por Bibi Serafim
O dia virá
E quando a cidade despedir teu rosto cheio de mistérios
E a cortesia do navio secreto enfeitar sua partida
Cuidarei inocente daquele varal e suas roupas estarão todas encharcadas
Com as gotas de lamento que a distância sincera espalhar nos ventos da saudade
Enxugando minhas lágrimas com os aflitos lençóis do passado
Correrei nu por seu cheiro encantado
Assim como quem precisa
Sentido para viver
Em você.
Por Bibi Serafim
Lixo da janta
A menina ocupa o lugar do morto
A menina é a morte viva
O morto está vivo nela
O morto não entrou pela vagina, mas está na barriga dela
A menina é a presença do que falta
A menina não é mais que saudade
O morto é muito desejado
O morto batizou a menina
A menina nem tem nome próprio
A menina é um porta-morto.
Por Bibi Serafim
Zine - Abrigo de Vagabundo
Este foi meu primeiro zine, lançado no Sarau da Psicologia- UFU, dia 26/11/2010. A imagem não está boa mas não tem outra forma, sou péssimo com tecnologia rs. Vou registrando esse lançamento porque estou próximo de lançar o meu próximo trabalho de zine.
Aquele abraço,
Bibi Serafim




